Terrorismo e atos de violência racial e contra policiais ofuscam encontro do Partido Republicano


​Preocupação extra. O morador Steve Thacker carrega um rifle e uma pistola numa praça em Cleveland, onde é permitido andar com armas em público – JIM URQUHART / JIM URQUHART/REUTERS

WASHINGTON — O quarto crime que choca os Estados Unidos em duas semanas e o ataque terrorista na França, quinta-feira, ampliam a tensão da convenção republicana, que começa nesta segunda-feira em Cleveland (Ohio). A cidade de 400 mil habitantes, que espera receber 50 mil pessoas para o evento político, vive um clima de guerra, com forte reforço policial e de agentes do FBI (a polícia federal americana). A convenção já gerava preocupação extra por causa de uma quantidade maior de protestos devido às declarações polêmicas de Donald Trump, que deve ser confirmado candidato da sigla à Casa Branca.

— As coisas que acontecem em todo o país e no mundo afetam como responderemos aqui — disse Calvin Williams, chefe da polícia local em entrevista à CBS News. — Parece que todo mundo está vindo para Cleveland realizar protestos.

MAIS BLOQUEIOS NAS RUAS

Desde sábado, uma série de manifestações — pacíficas — está ocorrendo na cidade. Já estão na região grupos de nacionalistas negros, defensores da supremacia branca, anarquistas, ativistas gays e do aborto, feministas, religiosos, imigrantes e grupos contrários ao aborto. Além dos 1.500 policiais da cidade, ao menos dois mil agentes de todo o país foram deslocados para garantir a segurança da convenção, que vai até quinta-feira. Diversos bloqueios foram montados nas ruas de Cleveland — medida reforçada após o ataque na França, quando um caminhão invadiu uma avenida reservada a pedestres, matando 84 pessoas.

— Você tem uma tempestade perfeita em Cleveland por questões envolvendo raça, religião, etnia, nacionalidade e orientação sexual. Nunca vi tantas questões com potencial de confronto ao mesmo tempo — disse Erroll Southers, diretor do programa de Extremismo Interno Violento da Universidade do Sul da Califórnia à “Voice of America”.

Segundo a Associated Press, um homem nos subúrbios de Cleveland chamou a atenção à tarde ao andar nas ruas com um rifle semi-automático nas mãos, exibindo também uma pistola no coldre. Havia o temor de que mais pessoas exibissem armas, o que poderia elevar a tensão. O presidente do sindicato local dos policiais, Steve Loomis, disse que o governador de Ohio, John Kasich, deveria declarar estado de emergência para suspender a permissão de exibição pública de armas.

O governador, contudo, não tomou a medida. Apesar de republicano, não discursará na convenção, indicando sua rejeição ao nome de Trump. Ele participaria na noite de domingo, em Cincinatti (também em Ohio), do encontro nacional da NAACP, a mais antiga associação dos direitos dos negros nos EUA. A democrata Hillary Clinton tem discurso previsto para esta segunda, levando o debate racial de vez ao estado.

A tensão cresce alimentada por Trump. Ele já fez declarações ofensivas a imigrantes, mulheres, muçulmanos, portadores de deficiência física, entre outros grupos. Para muitos, é o candidato dos brancos. Segundo pesquisas, tem cerca de 10% dos votos dos negros, num sinal da radicalização racial do país.

No domingo, o candidato voltou a usar a nova tragédia para pedir votos. Desde a recente onda de violência, ele se coloca como candidato “da lei e da ordem” e é favorável à liberdade das armas. “Estamos aflitos com os policiais em Baton Rouge. Quantos agentes da lei e pessoas têm de morrer por causa de uma falta de liderança no nosso país? Exigimos lei e ordem”, afirmou Trump no Facebook. No twitter, disse que Obama “não tinha uma pista” do que ocorreu em Baton Rouge, e que a situação “só vai piorar”. “Estamos tentando lutar contra o Estado Islâmico, mas nossa própria população está matando nossa polícia. O país está dividido e fora de controle, e o mundo está assistindo isso”.

Hillary, por sua vez, publicou nota alinhada ao discurso de Obama sobre a tragédia contra policiais na Lousiana: “um ataque contra policiais é um ataque contra todos nós”.

Pesquisa divulgada neste domingo pela ABC e pelo jornal “Washington Post” aponta a democrata com 47% das intenções de votos, contra 43% de Trump no levantamento realizado entre 11 e 14 de julho. Os números indicam que sua liderança está mais apertada: na pesquisa da ABC/“Washington Post” de 20 a 23 de junho, Hillary tinha 12 pontos à frente.

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