Eduardo Cunha diz que “estranha” decisão do STF e vai recorrer 9

​Cunha se disse "perseguido" pelo governo por causa do impeachment de Dilma


Eduardo Cunha disse "estranhar" a decisão do STF de afastá-lo da presidência da Câmara e que vai recorrer. O deputado declarou ainda que é perseguido pelo governo e que na próxima quarta-feira (11) – quando o Senado vota o afastamento da presidente Dilma Rousseff – o país vai "se livrar do PT".

"Tenho todo apreço e respeito pela Suprema Corte, mas não tenho como não estranhar. Se havia urgência, por que levou seis meses? Uma intervenção clara e nítida que foi feita no Poder Legislativo a tal ponto que, no próprio voto do ministro Teori, ele diz que não tem previsão na Constituição para afastamento de presidente da Câmara e para suspensão do mandato", afirmou Cunha na residência oficial, em Brasília, a um grupo formado por cerca 50 pessoas, entre repórteres, cinegrafistas e fotógrafos no começo da noite desta quinta.

No pedido de afastamento feito em dezembro, o procurador-geral da República Rodrigo Janot apontou 11 fatos que comprovariam que Cunha usa seu mandato de deputado e o cargo de presidente da Câmara para constranger e intimidar parlamentares, réus colaboradores, advogados e agentes públicos, com o objetivo de embaraçar e retardar investigações contra si.

Cunha é réu de um processo no STF por crimes de corrupção e lavagem de dinheiro por acusação de ter recebido US$ 5 milhões em propina do esquema investigado pela Operação Lava Jato. Entre os pontos citados por Janot, estão a convocação da advogada Beatriz Catta Preta para depor na CPI da Petrobras e as ameaças e ofertas de propina ao ex-relator do processo por quebra de decoro parlamentar contra Cunha no Conselho de Ética da Câmara.

"Os 11 fatos que foram assimilados pelo relator não foram debatidos com respeito ao contraditório", declarou. Um dos pontos contestados por ele foi sobre a acusação de interferência no andamento do Conselho de Ética, que o investiga por quebra de decoro parlamentar. O primeiro relator do caso foi afastado por determinação do primeiro vice, Waldir Maranhão, que é seu aliado.

"O próprio ex-relator entrou com mandado de segurança no Supremo e não teve êxito. O que mostra que a decisão que o afastou teve o amparo regimental porque ele pertencia ao bloco ao qual o meu partido faz parte", justificou.

Eduardo Cunha enfatizou o que chamou de "perseguição" por conta do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff e que é vítima de uma "retaliação". "É claro que eu estou sofrendo e vou sofrer uma retaliação por causa do impeachment. É óbvio que tem um processo político por trás disso. O PT gosta de companhia no banco dos réus. Essa reação já era mais do que esperada. Para me trazer ao banco dos réus na companhia deles. Mas isso vai acabar na quarta, se for da vontade de Deus, para que o Brasil possa se livrar da era do PT, era essa que fez tanto mal ao nosso país", declarou.

Ele também comparou o seu caso ao do senador Delcídio do Amaral (sem partido-MS), que "teve uma prisão decretada e não foi suspenso o exercício do mandato.

Votação unânime no STF

Cunha decidiu só se pronunciar depois do fim da sessão do STF (Supremo Tribunal Federal), na qual os ministros decidiram, por unanimidade, por acompanhar o voto do relator Teori Zavascki pelo afastamento do deputado da presidência da Câmara e sua suspensão do cargo.

O deputado passou o dia na residência oficial, acompanhado de seus advogados. Ele recebeu visitas de aliados políticos, que entraram e saíram da casa a todo instante, mas evitaram falar com a imprensa. O deputado Paulinho da Força (SD-SP) esteve no local pela manhã e novamente à tarde. No fim da tarde, houve queima de fogos perto da residência, mas não se sabe quem foi o autor.

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