Ex-médico acusado de estuprar 56 mulheres não trabalhava e vivia em casa de luxo no Paraguai, diz PF

O delegado da Polícia Federal, Marcos Paulo Pimentel, disse em uma coletiva de imprensa no início da noite desta terça-feira (19), que o ex-médico Roger Abdelmassih era acompanhado por uma equipe da Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai (Senad) e da Polícia Federal desde segunda-feira (11). Condenado por crimes sexuais contra pacientes, ele foi preso pela Senad nesta terça-feira, na capital paraguaia Assunção, onde morava. Logo depois, ele foi deportado para o Brasil.

Segundo o delegado, as investigações concluíram que o ex-médico saiu do Brasil por uma fronteira terrestre. Todavia, Pimentel não soube precisar qual foi a rota de fuga foi usada. Abdelmassih vivia ilegalmente no Paraguai e não trabalhava. Ele morava com a mulher em uma residência de luxo no Bairro São Cristóvão, na capital paraguaia.

Ainda conforme Pimentel, Abdelmassih foi preso quando saía de uma estabelecimento comercial, no Bairro Villa Morrá, em Assunção, às 14h30. Ele estava acompanhado da mulher. Segundo o delegado, ele ficou muito abalado com a prisão.

O ex-médico chegou à delegacia da Polícia Federal por volta das 18h desta terça-feira. O avião que transportou Abdelmassih decolou da pista do grupo aeronáutico da Força Aérea Paraguaia e pousou em um aeroporto dentro da Usina de Itaipu, do lado paraguaio. Em seguida, ele atravessou a Ponte da Amizade, em Foz do Iguaçu, em um carro até a alfândega, onde teve que assinar uma ata de expulsão do país vizinho, conforme Pimentel.

Depois, o ex-médico foi levado para a delegacia da Polícia Federal, onde deve ficar preso até ser transferido para São Paulo, nesta quarta-feira (20). A previsão é que ele embarque entre 10h e 11h.

O ex-médico era considerado um dos principais especialistas em reprodução humana no Brasil. Após sua condenação e fuga, passou a ser um dos criminosos mais procurados pela Polícia Civil do estado de São Paulo. A recompensa por informações sobre seu paradeiro era de R$ 10 mil.

Denúncias e condenação
Roger Abdelmassih, de 70 anos, foi acusado por 35 pacientes que disseram ter sido atacadas dentro da clínica que ele mantinha na Avenida Brasil, na região dos Jardins, área nobre da cidade de São Paulo. Ao todo, as vítimas acusaram o médico de ter cometido 56 estupros.

As denúncias contra o médico começaram em 2008. Abdelmassih foi indiciado em junho de 2009 por estupro e atentado violento ao pudor. Ele chegou a ficar preso de 17 de agosto a 24 de dezembro de 2009, mas recebeu do Supremo Tribunal Federal (STF) o direito de responder o processo em liberdade.

Em 23 de novembro de 2010, a Justiça o condenou a 278 anos de reclusão. Abdelmassih não foi preso logo após ter sido condenado porque um habeas corpus do Superior Tribunal de Justiça (STJ) dava a ele o direito de responder em liberdade.

O habeas corpus foi revogado pela Justiça em janeiro de 2011, quando ex-médico tentou renovar seu passaporte, o que sugeria a possibilidade de que ele tentaria sair do Brasil. Como a prisão foi decretada e ele deixou de se apresentar, passou a ser procurado pela polícia.

Em maio de 2011, Abdelmassih teve o registro de médico cassado pelo Conselho Regional de Medicina de São Paulo.

Médico alegava inocência
O ex-médico sempre alegou inocência. Chegou a dizer que só ‘beijava’ o rosto das pacientes e vinha sendo atacado por um "movimento de ressentimentos vingativos". Mas, em geral, as mulheres o acusaram de tentar beijá-las na boca ou acariciá-las quando estavam sozinhas – sem o marido ou a enfermeira presente.

Algumas disseram que foram molestadas após a sedação. De acordo com a acusação, parte dos 8 mil bebês concebidos na clínica de fertilização também não seriam filhos biológicos de quem fez o tratamento.

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