‘Foi tudo uma vingança’: aluna acusa colega de obrigá-la a fazer sexo oral por retaliação a comentário feito


Longe das salas de aula após ter denunciado que foi obrigada a fazer sexo oral em dois colegas numa escola da rede municipal, X., de 13 anos, acredita que a violência sofrida teria sido motivada por vingança. "A menina que me forçou a fazer isso já havia me batido antes e me ameaçado, porque tive um problema com ela antes no colégio", revela a aluna do 7º ano do Ensino Fundamental, em entrevista exclusiva ao EXTRA.

Como era a sua relação com o grupo que a agrediu?

Só falava com um dos meninos, que era de quem gostava. Havia ficado com ele uma vez, mas fazia tempo. Foi na própria escola, atrás do refeitório. Foi só um beijo. Antes disso, ele havia me dado duas caixas de bombom, na época da Páscoa. Ele disse que queria namorar comigo. Eu disse que não queria, mas, depois, passei a gostar dele.

E como era a sua relação com a menina que a teria forçado a fazer sexo oral?

Houve um passeio e ela ficou com um garoto que era namorado da minha amiga. Quando cheguei na escola, uma amiga dessa garota me perguntou porque estava triste. Comentei que o namorado de uma amiga minha havia ficado com essa garota. Ela soube do que eu havia falado e começou a me ameaçar, a dizer que ia me pegar lá fora. Houve uma vez, na aula de Educação Física, em que ela bateu na minha cara e na minha cabeça. Tava todo mundo jogando bola, ninguém reparou. Isso foi em julho.

Você reagiu na época?

Não fiz nada. Depois disso, descia para o play do meu prédio, ficava escutando música. Fingia que ia para a escola, mas não ia. Fiz isso dois dias. Até que minha mãe descobriu, pois o porteiro contou.

Tinha medo dessa menina?

Sempre tive medo dessa menina. Falava com as minhas amigas. Até que falei com a minha mãe e ela foi ao colégio. A escola disse que ia tomar providências. Depois disso, ela pediu desculpas e nunca mais fez nada. Até que isso aconteceu.

Como tudo aconteceu?

Estava na sala com a turma, sentada no canto que gostava de sentar. Era um tempo vago de Educação Física, sem professor. A menina entrou e inventou que o menino do qual eu gostava ia me pedir em namoro, se fizesse isso em três garotos. Ela disse pra eu "mamar o bonde". Não sabia o que era isso, mas agora sei. Eles me cercaram, fizeram um paredão. A menina segurou a minha cabeça. Veio o primeiro menino e ela empurrou minha cabeça em direção às partes íntimas dele. Encostei a boca uma única vez nas partes íntimas do primeiro menino. E duas vezes nas do outro. Não encostei naquele que gostava. Falei que não ia fazer porque era nojento.

Por que você acha que foi uma vingança?

Porque aquela história dela ter ficado com o namorado de uma amiga se espalhou.

E o amor pelo menino?

Não gosto mais dele. Não quero ver essas pessoas nunca mais na minha vida. Era amor que se transformou em raiva. Não quero voltar para aquele lugar.

Como tem sido a sua rotina?

Fico no computador, jogo bola com o meu irmão. Já não mexo mais em e-mail, Facebook, MSN. Não saio nas ruas, tenho medo de encontrar alguém da escola. Tenho vergonha.
A mãe de X. agora pensa no futuro da menina
A mãe de X. agora pensa no futuro da menina Foto: Thiago Freitas / Extra

Mãe busca Justiça e um novo colégio

"Vou até o inferno, se for preciso, mas quero que esse caso seja solucionado e que haja Justiça", diz a mãe de X. Ela já pesquisa novas escolas para matricular a filha no ano que vem:

– Já estou buscando colégios particulares. Vou à Universidade Veiga de Almeida, no Maracanã, para buscar psicólogos. Quando estive na 19ª DP (Tijuca), eles me deram um encaminhamento para os psicólogos de lá.

Ela acredita que o acompanhamento será fundamental para o desenvolvimento da adolescente, que já apresenta um comportamento diferente do normal.

Mudança de rotina

– Minha filha está comendo desesperadamente. Ela não fazia isso. Anda muito calada, não quer ir à rua, tem vergonha – conta a mãe, acrescentando ter largado o emprego depois do episódio com a filha.

X. está afastada da escola municipal desde o dia 26, quando contou para a mãe o episódio.

Grupo de apoio para ajudar em sindicância

A partir de hoje, uma equipe do Grupo Interdisciplinar de Apoio às Unidades Escolares, composto por psicólogos, assistentes sociais e pedagogos, vai ajudar na sindicância administrativa que foi aberta pela 2ª Coodenadoria Regional de Educação (CRE) para apurar o caso. A informação é da assessoria de imprensa da Secretaria municipal de Educação. A secretaria, no entanto, disse que só vai comentar o procedimento administrativo quando ele for finalizado.

A mãe de X. recebeu, na última sexta-feira, um telegrama da Coordenadoria Regional de Educação, pedindo que compareça com a menina na CRE no dia 21 de dezembro. Ela teme que a coordenadoria desista do acordo de que X. poderá fazer as provas que faltam em casa.

– Só espero que eles não mudem o que ficou combinado. Não podem mudar isso.

A secretaria não se pronunciou sobre o que será discutido no encontro.

Extra

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