Jovem afegã foi torturada durante seis meses pela família do marido


No leito de um hospital de Cabul, Sahar Gul, de 15 anos, relatou neste sábado (31) os seis meses de torturas vividos na casa da família do marido, que a trancava no banheiro, agredindo-a a pauladas e arrancava pedaços de sua pele e unhas, além de queimá-la com cigarros.

A adolescente, vendida pelo irmão por US$ 5 mil – uma espécie de dote que faz parte dos costumes afegãos, foi localizada na segunda-feira pela polícia da província de Baghlan (nordeste) em estado de choque, tendo sido transportada ao hospital.

Ela conta que "durante vários meses ficou no banheiro, e a sogra a privava de água e alimentos. Fui muito torturada, apanhei muito", disse a menina a vários jornalistas.

"Arrancavam a pele de Sahar com pinças, e apagavam cigarros nas feridas", denunciou um parente da vítima.
Segundo a polícia, Sahar Gul foi torturada por ter-se recusado a se prostituir. Três mulheres da família do marido foram presas, entre elas a sogra e a cunhada, mas o marido e o sogro conseguiram fugir.

"Ela ainda é menor e não tem idade legal para se casar. É uma história trágica para o Afeganistão", comentou a doutora Suraya Dalil, ministra da Saúde afegã, que estava na cabeceira da moça.

A comissão independente afegã dos direitos humanos contabilizou 1.026 casos de violência contra as mulheres no segundo trimestre de 2011; em todo o ano de 2010 foram 2.700 casos.

Fonte: France Presse

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